
AGRADECIMENTOS
Aos Nossos Patrocinadores
Esta cartilha foi possível graças ao apoio de nossos patrocinadores, que acreditam na importância da educação digital para a proteção de crianças e adolescentes.
[Espaço reservado para logotipos dos patrocinadores]
SUMÁRIO
APRESENTAÇÃO
Você sabe o que seu filho faz na internet? Sabe com quem ele conversa, o que ele assiste ou o que ele compartilha? Hoje, a maioria das crianças e dos adolescentes passa várias horas por dia conectada. E muitos pais não conhecem os riscos que existem nesse mundo digital. Esta cartilha foi criada para mudar isso.
Esta cartilha foi feita pelo Instituto Navegue Bem para ajudar pais, mães, responsáveis e educadores a entender os riscos da internet e aprender a lidar com eles. O texto foi escrito de um jeito simples e direto, para que qualquer pessoa consiga ler, entender e colocar em prática.
Reunimos aqui a ajuda de advogados, especialistas em segurança, professores e psicólogos. Cada um trouxe seu conhecimento para tornar este material útil e fácil de usar no dia a dia.
Nesta cartilha, você vai encontrar orientações sobre como conversar com seus filhos sobre a internet, como usar as redes sociais de forma saudável, como proteger as crianças em jogos online, o que fazer em casos de bullying e cyberbullying (perseguição pela internet), como identificar notícias falsas e vídeos manipulados, quais são os crimes digitais e como denunciar, como a inteligência artificial afeta a vida das crianças, quais são os direitos das crianças na internet segundo a lei, e como preparar os jovens para o mercado de trabalho no mundo digital.
Proibir o uso da internet não é a solução. A melhor proteção é a informação. Quando pais e educadores entendem os riscos, conseguem orientar melhor e criar um ambiente seguro para as crianças navegarem. A educação digital começa com conversa, e esta cartilha é o primeiro passo.
Navegar bem é navegar com consciência.
Instituto Navegue Bem
Promovendo educação, proteção e consciência digital.
CAPÍTULO 1
Internet sem Medo: Educação, Diálogo e Responsabilidade
por Fernanda Nogueira
A internet faz parte da vida das crianças e dos adolescentes. É onde eles aprendem, brincam, se comunicam e constroem sua identidade. Mas a internet também tem riscos reais, muitas vezes invisíveis para os adultos. Tratar a internet como algo secundário na educação, ou achar que basta proibir o acesso, não protege — e pode até aumentar os riscos.
Nativos digitais e vulnerabilidades reais
As crianças de hoje cresceram usando tecnologia — são chamadas de "nativos digitais". Mas essa familiaridade com o celular não significa maturidade emocional, senso crítico ou capacidade de avaliar riscos jurídicos, sociais e psicológicos das interações online. Pesquisas mostram que muitos jovens passam por situações incômodas, ofensivas ou perigosas na internet sem que os pais sequer fiquem sabendo.
Vigiar cada clique é impossível e não é desejável. Tentar controlar tudo gera relações de medo e faz o filho esconder as coisas. Proibir totalmente o uso da internet também não educa e não previne — priva a criança de aprender a lidar com o mundo digital de forma responsável. A melhor saída é ensinar o uso responsável, crítico e ético. O próprio poder público reconhece que a proteção online deve ser guiada pela noção de cidadania digital infantojuvenil (a ideia de que crianças e adolescentes são sujeitos de direitos também no espaço virtual, e não apenas consumidores ou produtores de conteúdo).
Internet sem Medo: Educação, Diálogo e Responsabilidade (continuação)
O papel de pais e educadores
O papel central dos pais e educadores não é vigiar, mas formar. Educar para o uso responsável da internet significa oferecer ferramentas para que crianças e adolescentes desenvolvam uma leitura crítica do mundo digital. Isso inclui ensinar que nem tudo online é verdadeiro, seguro ou adequado. Significa ensiná-los a reconhecer desinformação, manipulações de imagem e de discurso, armadilhas dos algoritmos (programas que escolhem o que aparece na tela) e pressões sociais que incentivam comportamentos de risco. A internet não é neutra, não esquece e não perdoa com facilidade. Conteúdos compartilhados podem circular indefinidamente, fora do controle de quem publicou, com impactos reais na vida emocional, social e jurídica.
Também é fundamental explicar os riscos e os crimes digitais de forma clara. As crianças precisam entender que o ambiente virtual é regulado por leis e que certas condutas não são brincadeiras — são práticas que causam danos graves e geram responsabilização. Exemplos: cyberbullying (perseguir ou humilhar alguém online), ofensas repetidas, exposição de imagens sem consentimento, aliciamento, desafios perigosos, golpes financeiros ou compartilhamento de conteúdo violento. Quem compartilha conteúdo ofensivo ou ilegal não é mero espectador — pode ser considerado corresponsável. Quando essas condutas são praticadas por crianças ou adolescentes, a lei brasileira prevê medidas de proteção e medidas socioeducativas. Em certas situações, a responsabilização civil recai sobre os pais e responsáveis.
Ética e empatia no ambiente digital
Internet sem Medo: Educação, Diálogo e Responsabilidade (continuação)
Educar para a internet é também educar para a ética digital. Isso envolve ensinar empatia, respeito, responsabilidade com a palavra escrita e consciência de que do outro lado da tela existe uma pessoa real. A forma como se comenta, se compartilha ou se reage online produz efeitos concretos na vida real. Essa compreensão deve ser construída desde cedo, de maneira progressiva e por meio de diálogo.
A maioria das redes sociais exige idade mínima de 13 anos em seus Termos de Uso, justamente por causa dos riscos ligados ao desenvolvimento emocional e cognitivo. Antes dessa idade, apresentar ferramentas, jogos e plataformas adequadas à fase de desenvolvimento pode ser uma alternativa saudável, desde que com orientação constante. Quando o adolescente já tem perfil em redes sociais, o acompanhamento se torna ainda mais importante, pois os pais continuam sendo legalmente responsáveis pelos atos praticados pelos filhos na internet.
Acordos e limites para o uso consciente
Uma estratégia eficaz é construir combinados junto com os filhos, em vez de impor regras sozinho:
Negociar o tempo diário de uso do celular
Orientar sobre o compartilhamento consciente de imagens e informações pessoais
Explicar que liberdade digital pressupõe responsabilidade
Reforçar que qualquer conteúdo que cause medo, desconforto ou confusão deve ser contado a um adulto de confiança
Ter celular ou acesso à internet não é um direito absoluto — é uma responsabilidade que deve ser exercida com consciência e apoio.
Internet sem Medo: Educação, Diálogo e Responsabilidade (continuação)
Por fim, é essencial entender que permitir o acesso com orientação protege mais do que proibir. A internet pode e deve ser usada por crianças e adolescentes como ferramenta de comunicação, estudo, pesquisa e lazer, desde que haja mediação adulta, regras claras e educação crítica. Seja assistindo a vídeos, navegando em redes sociais ou jogando online, a presença atenta dos pais e educadores continua sendo indispensável. Proibir não educa. Ignorar não protege. Educar, dialogar e acompanhar é o caminho mais eficaz para formar cidadãos digitais conscientes, éticos e preparados.
CAPÍTULO 2
Uso Saudável das Redes Sociais: Bem-Estar e Proteção de Dados
As redes sociais mudaram a forma como nos comunicamos, consumimos informações e nos relacionamos com o mundo. Elas aproximam pessoas e criam oportunidades, mas o uso exagerado pode causar dependência digital (vício no celular), ansiedade, exposição de dados pessoais e de imagem.
Problemas do uso excessivo
Ficar tempo demais nas redes prejudica a saúde mental. A pessoa perde a capacidade de concentração e começa a se comparar com os outros. Estudos indicam que o uso excessivo está ligado a sintomas de ansiedade e depressão (tristeza profunda e duradoura).
Dicas para uso saudável
Coloque limites de tempo — use recursos do celular que avisam quando você já usou demais (ferramentas de controle digital)
Escolha bem o que assistir — prefira perfis que promovam conhecimento e bem-estar
Dê valor ao contato pessoal — redes sociais devem complementar, não substituir as relações presenciais
Faça pausas digitais — intervalos ajudam a reduzir a sobrecarga de informações
Proteção dos seus dados pessoais
Uso Saudável das Redes Sociais: Bem-Estar e Proteção de Dados (continuação)
A LGPD (Lei Geral de Proteção de Dados, Lei nº 13.709/2018) estabelece regras para o uso de dados pessoais no Brasil, garantindo direitos como privacidade e segurança. Para se proteger:
| Ação | Por quê |
|---|---|
| Revisar as configurações de privacidade | Limite quem pode acessar suas informações |
| Não compartilhar demais | Nunca poste fotos, imagens, localização em tempo real ou documentos — são dados sensíveis |
| Desconfiar de links e apps externos | Muitos golpes acontecem por meio de permissões indevidas e links maliciosos |
| Exigir transparência | A lei (artigos 9º e 18 da LGPD) garante que você, como titular dos dados, tem o direito de saber como seus dados são usados, para qual finalidade, onde ficam armazenados e se são compartilhados com outras empresas |
Usar redes sociais de forma saudável é equilibrar conexão com bem-estar, aliado à proteção dos dados pessoais. Ao adotar práticas conscientes e respeitar a lei, é possível aproveitar os benefícios sem comprometer a saúde mental e a privacidade. Redes sociais são poderosas, mas devem ser usadas com responsabilidade, ética e de forma controlada.
CAPÍTULO 3
Guia Prático: Uso Saudável das Redes Sociais
por Ana Paula Assunção Oliveira da Paixão
Uso saudável das redes não é proibir, mas participar junto (mediação participativa). O cérebro das crianças e adolescentes ainda está em desenvolvimento — filtrar o que eles veem na internet é essencial. Os riscos são reais.
Conceitos importantes
Dependência Digital (vício no celular): não é só "gostar do celular". O uso excessivo ativa o sistema de recompensa do cérebro, gerando perda de controle. A criança pode ficar irritada sem o aparelho, perder interesse por atividades fora da tela e ter dificuldade de concentração nos estudos e na leitura.
Ansiedade: o "mundo perfeito" das redes gera uma pressão invisível. O jovem sente que sua vida não é boa o suficiente. Isso gera um ciclo de baixa autoestima e urgência de estar conectado o tempo todo. O sentimento surge pelo medo de estar "por fora" de algo (chamado de FOMO — fear of missing out) ou pela pressão de responder mensagens instantaneamente.
Exposição indevida de imagem: toda foto postada vira um dado digital. Uma vez na rede, ela deixa de ser sua. Perdemos o controle sobre quem baixa ou compartilha aquela imagem, o que pode alimentar perfis falsos ou expor rotinas privadas.
Pilares para o uso saudável — faça combinados, não apenas regras
Zonas livres de celular: defina horários e locais onde o celular não entra (como a mesa de jantar e o quarto antes de dormir)
Guia Prático: Uso Saudável das Redes Sociais (continuação)
Propósito: incentive a pergunta: "Estou entrando aqui para me divertir ou só por tédio?"
Desenvolva o filtro crítico: ensine que as redes mostram apenas pedaços da vida. As pessoas escolhem o que exibir e escondem as dificuldades. Essa 'vida perfeita' é ensaiada e editada. Comparar sua vida com isso só traz tristeza e ansiedade
Curadoria de conteúdo (o que seu filho consome nas redes): o acompanhamento vai além do tempo de uso. É importante observar que tipo de conteúdo a criança ou o jovem está vendo
Mostre perfis que incentivam esportes, artes, ciência e criatividade. Existem perfis muito divertidos e bem-humorados que abordam esses temas
Revisem juntos os perfis seguidos — deixem de seguir os que causam tristeza, ansiedade ou comparação excessiva
Dê o exemplo: o comportamento dos pais é o espelho mais forte. Se quer que seu filho use menos, ele precisa ver você desconectado e presente
Nota importante: fique atento a mudanças bruscas de humor, isolamento social ou queda no rendimento escolar. Esses podem ser sinais de que o uso das redes deixou de ser saudável.
Ferramentas de apoio: como monitorar com segurança
Além do diálogo, existem ferramentas tecnológicas que ajudam na proteção:
WhatsApp em dois aparelhos (espelhamento): Você pode acompanhar as mensagens do seu filho em tempo real no seu celular, sem precisar do chip dele.
Guia Prático: Uso Saudável das Redes Sociais (continuação)
Opção 1: No celular da criança, abra o WhatsApp > Configurações > Aparelhos conectados > Conectar um aparelho (abre a câmera para ler um código).
Opção 2: No seu celular, instale o WhatsApp > na tela de colocar o número, toque nos três pontinhos > Conectar como aparelho adicional. Um código QR aparecerá. Aponte a câmera do celular do filho para o seu aparelho e pronto.
| Ferramenta | O que faz |
|---|---|
| WhatsApp em dois aparelhos | Acompanhe mensagens do filho — vá em Configurações > Aparelhos conectados |
| Google Family Link (Android/iOS) | Gerencia tempo de tela, bloqueia apps inadequados e mostra a localização do dispositivo |
| Controle Parental do iPhone (iOS) | Nativo do sistema — permite restringir compras, conteúdo por idade e horários de uso |
Cuidar do que as crianças veem na internet é uma das maiores formas de proteção no mundo real. Que a internet seja um lugar de descoberta, mas que o nosso abraço e a nossa casa sejam sempre o lugar de pertencimento e o refúgio favorito deles. Educar com limites é, acima de tudo, um ato de amor.
CAPÍTULO 4
Segurança em Plataformas de Jogos On-line
por Aletéia Mangueira
1. Introdução
Os jogos online fazem parte da vida de muitas crianças e adolescentes. Eles permitem diversão, interação com outras pessoas, desenvolvimento de habilidades cognitivas (do pensamento), raciocínio lógico, criatividade e trabalho em equipe. Mas, como qualquer ambiente social, o espaço virtual também exige atenção, responsabilidade e cuidados com a segurança.
A internet é um ambiente amplo, onde nem todas as pessoas têm boas intenções. Por isso, é fundamental que crianças e adolescentes aprendam, desde cedo, a usar plataformas digitais de forma consciente, segura e responsável.
2. O que são plataformas de jogos online?
São ambientes digitais onde os jogadores acessam jogos pela internet — pelo celular, computador, tablet ou videogame. Nesses ambientes é possível jogar sozinho ou com outras pessoas, conversar por mensagens de texto, áudio ou vídeo e participar de desafios coletivos.
Muitos jogos permitem a criação de perfis com nomes fictícios (apelidos), imagens ou personagens virtuais. Embora isso torne o jogo mais divertido, também pode dificultar saber quem realmente está do outro lado da tela.
Segurança em Plataformas de Jogos On-line (continuação)
3. A importância da segurança no ambiente digital
Assim como aprendemos regras de convivência para a escola, a rua e a família, também precisamos aprender regras de convivência digital. A segurança online existe para proteger a integridade física, emocional e psicológica das crianças e adolescentes.
Quando não há orientação adequada, o ambiente virtual pode expor o jogador a:
Conversas inadequadas
Ofensas e agressões verbais
Tentativas de enganação
Exposição excessiva da vida pessoal
Situações de medo, constrangimento ou confusão
Por isso, conhecer os riscos é o primeiro passo para se proteger.
4. Proteção de dados pessoais
Dados pessoais são informações que identificam quem você é ou onde você vive. Exemplos: nome completo, idade, endereço, nome da escola, número de telefone, senhas de contas e fotos pessoais. Essas informações não devem ser compartilhadas em jogos online.
Pessoas com más intenções podem usar esses dados para: enganar, assustar, ameaçar, invadir contas ou fingir ser alguém conhecido. Mesmo que a pessoa pareça amigável, nunca é seguro compartilhar dados pessoais com desconhecidos.
Segurança em Plataformas de Jogos On-line (continuação)
5. Identidade virtual e perfis falsos
Nos jogos online, as pessoas podem usar nomes e imagens que não correspondem à realidade. Isso significa que:
Um adulto pode fingir ser criança ou adolescente
Uma pessoa pode mentir sobre sua idade, aparência ou intenções
Por isso, lembre-se: nem todo jogador é quem diz ser. A confiança deve ser construída com muito cuidado, e sempre com a supervisão de adultos responsáveis.
6. Comunicação nos jogos online
Conversas no chat: Muitos jogos possuem chats para conversa entre jogadores. Essas conversas devem ser respeitosas, educadas e adequadas à idade. Não é correto aceitar xingamentos, ofensas, palavras agressivas ou comentários preconceituosos. Caso isso aconteça, o jogador deve interromper a conversa e denunciar.
Mensagens privadas: Mensagens privadas podem parecer inofensivas, mas exigem atenção. Nunca é recomendado conversar em segredo com desconhecidos, aceitar pedidos para mudar a conversa para outras redes sociais ou manter conversas escondidas de adultos responsáveis. Segredos na internet podem representar perigo.
7. Pedidos inadequados e situações de risco
É importante ficar atento quando alguém:
Pede fotos pessoais
Solicita vídeos ou chamadas de vídeo
Faz perguntas íntimas
Insiste em manter segredos
Segurança em Plataformas de Jogos On-line (continuação)
Oferece vantagens dentro do jogo em troca de favores
| Sinal de perigo | O que fazer |
|---|---|
| Pede fotos ou vídeos pessoais | Parar de conversar imediatamente |
| Faz perguntas íntimas | Bloquear a pessoa |
| Insiste em manter segredos | Contar para um adulto de confiança |
| Oferece presentes em troca de favores | Denunciar dentro do jogo |
8. Ferramentas de segurança dos jogos
A maioria das plataformas oferece recursos de proteção:
Bloqueio de usuários
Denúncia de comportamento inadequado
Controle de mensagens
Configurações de privacidade
Essas ferramentas existem para proteger o jogador e devem ser usadas sempre que necessário. Usar essas ferramentas não é errado e não gera punição para quem denuncia.
9. Cyberbullying nos jogos
Cyberbullying é a prática de ofender, humilhar ou ameaçar alguém por meio da internet. Pode acontecer em jogos online, redes sociais e apps de mensagens. Exemplos: xingamentos repetidos, ridicularização, exclusão proposital do jogo e espalhar mentiras. O cyberbullying causa sofrimento emocional e deve ser levado a sério. Quem sofre ou presencia deve buscar ajuda.
Segurança em Plataformas de Jogos On-line (continuação)
10. Emoções e saúde mental no uso de jogos
Jogar online deve ser uma atividade prazerosa. Quando o jogo passa a causar raiva excessiva, tristeza, ansiedade, medo ou isolamento, é sinal de que algo não está bem. Falar sobre sentimentos é importante e ajuda a manter o equilíbrio emocional.
11. Tempo de uso e equilíbrio
O uso excessivo de jogos pode prejudicar o sono, o rendimento escolar, a convivência familiar e a saúde física. Por isso, é importante:
Ter horários definidos para jogar
Fazer pausas
Praticar atividades físicas
Manter contato com amigos e familiares fora da tela
O equilíbrio é fundamental para um desenvolvimento saudável.
12. O papel da família e da escola
A segurança digital é uma responsabilidade compartilhada entre crianças e adolescentes, família e escola. Os adultos devem orientar, acompanhar e estar disponíveis para ouvir. Crianças e adolescentes devem sentir segurança para conversar sobre qualquer situação que cause desconforto.
13. Falar com um adulto é sempre a melhor escolha
Nenhuma criança ou adolescente deve enfrentar problemas online sozinho. Sempre que algo parecer estranho, errado ou assustador, procure: pais ou responsáveis, professores ou coordenadores escolares. Pedir ajuda é um ato de responsabilidade e coragem.
Segurança em Plataformas de Jogos On-line (continuação)
14. Conclusão
Os jogos online fazem parte do mundo moderno e podem trazer muitos benefícios quando usados de forma segura e consciente. Conhecer os riscos, respeitar regras, proteger informações pessoais e manter diálogo com adultos são atitudes que garantem uma experiência positiva. A internet deve ser um espaço de aprendizado, diversão e respeito. Quando cada um faz sua parte, todos ficam mais protegidos.
Versão simplificada para crianças e adolescentes
Jogar online é muito legal! Você pode se divertir, aprender coisas novas, trabalhar em equipe e fazer amigos. Mas, assim como na vida real, é importante ter cuidado para ficar seguro na internet.
Proteja suas informações: Nunca conte para ninguém seu nome completo, endereço, escola, número de telefone ou senhas. Essas informações são só suas. Quem pede isso pode não ser quem diz ser.
Nem todo mundo é quem parece ser: Nos jogos, as pessoas usam apelidos e avatares. Nem sempre sabemos quem está do outro lado. Não aceite pedidos de amizade de desconhecidos, não converse em particular com quem não conhece e nunca marque encontros fora do jogo.
Cuidado com mensagens estranhas: Se alguém falar coisas que te deixam desconfortável, pedir fotos, ameaçar, xingar ou insistir em segredos — pare de conversar imediatamente e conte para um adulto de confiança.
Use as ferramentas do jogo: A maioria dos jogos tem opções para bloquear jogadores, denunciar comportamentos errados e controlar quem pode falar com você. Use sem medo!
Segurança em Plataformas de Jogos On-line (continuação)
Equilíbrio: Jogar é divertido, mas não deixe de dormir, de estudar e de brincar fora da tela. O equilíbrio ajuda seu corpo e sua mente a ficarem saudáveis.
Falar com um adulto é sempre certo: Se algo te incomodar, assustar ou confundir, fale com seus pais, responsáveis ou professores. Nenhum problema é pequeno demais. Você não será punido por pedir ajuda.
Jogar online deve ser seguro, divertido e respeitoso. Quando você se cuida, o jogo fica muito melhor!
CAPÍTULO 5
Bullying e Cyberbullying: O Que Diz a Lei
por Márcia Amaral
Em janeiro de 2024, houve a criminalização do bullying e do cyberbullying no Brasil através da Lei 14.811/2024, que inseriu o Art. 146-A no Código Penal. O bullying é definido juridicamente como "intimidação sistemática" — atos de violência física ou psicológica, intencionais e repetitivos, praticados sem motivação evidente, em uma relação de desequilíbrio de poder. Não é uma briga que acontece uma vez só — precisa ser algo que se repete.
Detalhes jurídicos importantes
O bullying é um crime habitual (exige repetição para ser crime). Por essa razão, a maioria dos juristas entende que não admite tentativa (não existe "tentativa de bullying" — ou o padrão de repetição existe, ou não).
Além disso, como a lei entrou em vigor em janeiro de 2024, ela não pode retroagir para punir fatos anteriores. Isso se chama princípio da irretroatividade da norma penal mais grave — a lei penal mais severa só vale para fatos que aconteçam depois de ela entrar em vigor.
A lei classifica as formas de bullying em várias categorias: verbal, moral, sexual, social, psicológica, física e material.
Comparação: bullying vs cyberbullying
A diferença entre as modalidades está no meio de execução e na severidade da pena:
Bullying e Cyberbullying: O Que Diz a Lei (continuação)
| Aspecto | Bullying presencial | Cyberbullying |
|---|---|---|
| Onde acontece | Escola, rua, ambientes físicos | Internet, redes sociais, jogos online |
| Punição | Multa | Reclusão (regime mais fechado) de 2 a 4 anos + multa |
| Alcance | Limitado ao local | Se espalha rápido, atinge muita gente |
| Com racismo | Crime de injúria racial/racismo (sem fiança) | Crime de injúria racial/racismo (sem fiança) |
| Menores de 18 | Medidas socioeducativas (ECA) + pais pagam multas e indenizações | Medidas socioeducativas (ECA) + pais pagam multas e indenizações |
Note que o cyberbullying tem pena de reclusão (regime mais fechado), enquanto crimes de injúria comum preveem apenas detenção. O legislador considera a agressão virtual muito mais perigosa por causa da sua permanência e do seu alcance.
Natureza subsidiária e discussão jurídica
Esses crimes são **subsidiários**: só são aplicados se a conduta não configurar um crime mais grave. Por exemplo: se a intimidação envolver ofensas homofóbicas ou racistas, o agressor responde por injúria racial (e não por bullying), cujas penas são muito maiores e não permitem fiança.
Existe uma discussão jurídica sobre a natureza do bullying: embora o critério clássico da Lei de Introdução ao Código Penal classifique infrações punidas apenas com multa como contravenções (infrações menores), a tendência — baseada em precedentes do STF (Supremo Tribunal Federal) — é tratar o bullying como crime autêntico, e não como simples contravenção.
Se durante o bullying houver lesão corporal ou ameaça, as penas podem ser somadas (acúmulo de penas), dependendo do caso concreto.
Bullying e Cyberbullying: O Que Diz a Lei (continuação)
O que pais e jovens precisam saber
Para menores de 18 anos, as penas de prisão são substituídas por medidas socioeducativas (previstas no ECA — Estatuto da Criança e do Adolescente). Essas medidas incluem prestação de serviços à comunidade e até internação. O registro do ato infracional permanece. Os pais pagam as multas e as indenizações civis.
O que você faz na internet hoje gera um histórico que pode prejudicar sua carreira e sua vida no futuro.
Para os pais e responsáveis
A responsabilidade é **objetiva**: se seu filho causar dano a alguém, você será obrigado pela justiça a pagar indenizações por danos morais e materiais, independentemente de ter tido culpa direta no ato. Fique atento a sinais de alerta: mudanças de humor, isolamento, medo de ir à escola.
Como agir se seu filho for vítima — Passo a passo
Se você presenciou ou foi vítima de um crime digital, não apague as provas!
Print inteligente: Capture a tela com o nome de usuário, data, hora e link do perfil
Não interaja: Não responda às agressões para não enfraquecer seu direito de defesa
Ata notarial: Em casos graves, registre os prints em cartório para ter validade jurídica total (documento chamado "ata notarial")
Denúncia: Vá à Delegacia de Crimes Cibernéticos ou faça um B.O. (Boletim de Ocorrência) online
Bullying e Cyberbullying: O Que Diz a Lei (continuação)
Perguntas frequentes
Uma briga única é bullying? Não. A lei exige que seja um comportamento repetitivo (sistemático).
A escola pode ser punida? Sim, se for omissa no combate à prática dentro de suas dependências.
Apagar a conta resolve? Não. A polícia pode rastrear o IP (endereço do computador na internet) e a identificação do dispositivo, mesmo após a exclusão da conta.
CAPÍTULO 6
Bullying e Cyberbullying: Quando a "Brincadeira" Vira Crime
por Priscila Pairé
Muita gente acha que bullying é só brincadeira de criança. Mas não é. O bullying e o cyberbullying, muitas vezes encarados como brincadeiras da infância e adolescência, são práticas graves capazes de causar profundos danos psicológicos, sociais e emocionais às vítimas. O ordenamento jurídico brasileiro (o conjunto de leis do Brasil) passou a reconhecer essas condutas como crimes, destacando a importância da prevenção, da conscientização e da responsabilização dos envolvidos.
Bullying
O bullying se caracteriza por comportamentos agressivos, intencionais e repetitivos, geralmente praticados em ambientes escolares, nos quais o agressor exerce poder ou intimidação sobre a vítima. Com a Lei nº 14.811/2024, o bullying passou a ter definição legal no Brasil, sendo enquadrado como intimidação sistemática, abrangendo diversas formas de violência: verbal, física, psicológica, moral e material.
Na prática, essas condutas se manifestam por meio de insultos, apelidos pejorativos (ofensivos), boatos e danos a objetos pessoais. Raramente acontecem de forma isolada. As consequências psicológicas para as vítimas podem ser severas, incluindo ansiedade, depressão (tristeza profunda e duradoura) e comportamentos autolesivos (se machucar de propósito). Isso mostra a necessidade de atuação da rede de proteção e de acompanhamento especializado. Apesar dos avanços legais, o enfrentamento do bullying ainda exige ações integradas da família, da escola, do Estado e da sociedade.
Bullying e Cyberbullying: Quando a "Brincadeira" Vira Crime (continuação)
Cyberbullying
O cyberbullying consiste na prática de agressões repetitivas no ambiente virtual, usando redes sociais, apps de mensagens e plataformas online. A Lei nº 14.811/2024 também criminalizou essa conduta, reconhecendo seu maior alcance e potencial de dano, com previsão de penas mais severas (reclusão de 2 a 4 anos e multa).
Casos comuns envolvem a criação de perfis falsos para divulgar conteúdos ofensivos ou difamatórios. Os danos são amplificados pela rapidez com que as informações se espalham e pela falsa sensação de anonimato (o agressor acha que ninguém vai descobrir quem ele é — mas a polícia pode rastrear). A complexidade do combate ao cyberbullying reforça a urgência da educação digital e da orientação de crianças, adolescentes e responsáveis quanto ao uso consciente das tecnologias.
| Aspecto | Bullying | Cyberbullying |
|---|---|---|
| Onde | Escola, rua | Internet, redes sociais, jogos online |
| Forma | Insultos, apelidos, agressão física, boatos, danos a objetos | Perfis falsos, mensagens ofensivas, exposição, difamação |
| Alcance | Local, limitado | Rápido, sem limite de público |
| Punição | Crime com multa | Crime com prisão de 2 a 4 anos + multa |
| Característica | Agressor exerce poder presencial | Falsa sensação de anonimato amplifica a agressão |
Conclusão
Tanto no bullying quanto no cyberbullying, a orientação e a prevenção são as estratégias mais eficazes. A criminalização é necessária e cumpre função repressiva e pedagógica, mas o Direito Penal deve ser aplicado como ultima ratio (último recurso). A atuação conjunta da família, da comunidade escolar, do Estado e da sociedade é indispensável para a formação adequada de crianças e adolescentes.
Bullying e Cyberbullying: Quando a "Brincadeira" Vira Crime (continuação)
No ambiente virtual, essa responsabilidade é ainda mais relevante, pois a ausência de orientação pode transformar uma simples "brincadeira" em crime, gerando consequências graves para vítimas e agressores. A responsabilidade compartilhada é o caminho para prevenir condutas aparentemente inofensivas que podem resultar em sérios danos psicológicos e sociais.
CAPÍTULO 7
Fake News e Deepfakes: Entender para se Proteger
por Joice
A internet é o principal lugar onde as pessoas recebem informações. Mas é muito fácil espalhar mentiras — muita gente acredita em algo só porque viu várias vezes, sem verificar se é verdade. Dois problemas sérios merecem atenção: as fake news e os deepfakes.
Entendendo as diferenças
| Tipo | O que é | Como funciona |
|---|---|---|
| Fake news | Notícias falsas (textos, imagens, manchetes) | Exploram emoções (medo, raiva) para gerar compartilhamentos sem pensar |
| Deepfake | Vídeos ou áudios falsos que parecem reais | Usam IA (inteligência artificial) para fazer parecer que alguém disse ou fez algo que nunca aconteceu |
Os danos da desinformação
Fake news e deepfakes enfraquecem a confiança nas informações. Os danos vão além da internet: afetam relacionamentos, reputações, eleições e segurança. Em crises de saúde, informações falsas sobre remédios e vacinas colocam vidas em risco. A desinformação não fica só na tela.
Como as redes sociais pioram o problema
As redes funcionam com algoritmos (programas automáticos que escolhem o que aparece na sua tela). Eles mostram mais daquilo que gera curtidas e comentários, mesmo que seja mentira. Por isso, notícias falsas se espalham mais rápido que a verdade.
Fake News e Deepfakes: Entender para se Proteger (continuação)
As redes também criam "bolhas" — você só vê opiniões parecidas com as suas. Isso faz a pessoa acreditar que tudo na tela é verdade, sem questionar. Quando juntamos bolhas com deepfakes, um vídeo falso pode enganar qualquer pessoa.
Como se proteger
Esse cuidado é ainda mais importante para crianças e adolescentes. Para se proteger:
Desconfie de conteúdos que causam emoções muito fortes (raiva, medo, indignação)
Antes de compartilhar, verifique se a informação aparece em fontes confiáveis (jornais conhecidos)
Observe de onde veio a informação e compare em diferentes sites
Preste atenção em vídeos e fotos que parecem estranhos
Investir em educação digital desde cedo é a melhor forma de preparar nossos filhos contra a desinformação.
CAPÍTULO 8
Crimes Digitais e Proteção de Crianças e Adolescentes
por Victor Araujo e Carlos Erlacher
O uso da internet por crianças cresceu muito. Isso trouxe oportunidades, mas também aumentou os riscos de crimes digitais. Ensinar sobre segurança digital é tão importante quanto ensinar sobre segurança na rua.
Por que falar de crimes digitais?
Sem orientação, crianças podem ter contato com estranhos, compartilhar fotos e rotinas demais, cair em golpes, sofrer cyberbullying ou assédio, e ver conteúdos perigosos. Entender esses riscos é o primeiro passo para prevenir.
Principais crimes digitais contra crianças
| Crime | O que é | Como acontece |
|---|---|---|
| Cyberbullying | Humilhar, ameaçar ou expor alguém online | Redes sociais, jogos, apps de mensagens |
| Grooming (aliciamento) | Adulto finge ser jovem para se aproximar de crianças com intenções sexuais | Chats de jogos, redes sociais — é silencioso e muito perigoso |
| Golpes e fraudes | Ofertas falsas, links perigosos, pedidos de dinheiro | Promessas de presentes ou vantagens em jogos |
| Discurso de ódio | Violência verbal que incita preconceito | Plataformas que amplificam comportamentos agressivos |
Como proteger crianças e adolescentes
Conversa constante: falar sobre os perigos de forma clara funciona melhor que proibições rígidas.
Acompanhamento responsável: não é espionar, é saber quais apps e jogos seus filhos usam, com quem conversam e como estão as configurações de privacidade.
Crimes Digitais e Proteção de Crianças e Adolescentes (continuação)
Regras claras — combinem em família:
Cuidado ao conversar com desconhecidos
Não compartilhar fotos sem autorização
Não clicar em links estranhos
Não entrar em grupos sem conhecer quem está neles
Ferramentas de proteção
Controle de pais no celular, TV e videogame
Senhas fortes e verificação em duas etapas (confirmação extra além da senha)
Navegadores com filtro de conteúdo e configurações de privacidade em todas as redes
Confiança: a criança precisa se sentir segura para pedir ajuda. Muitas vítimas ficam caladas por medo de serem punidas.
A proteção digital funciona melhor quando escola e família trabalham juntas. Crianças não precisam ser afastadas da tecnologia — precisam de orientação para usá-la com responsabilidade. A prevenção é construída no dia a dia, com informação, presença e apoio.
CAPÍTULO 9
Extremismo e Radicalização Online
por Rodrigo Alessandro Ferreira
Nem toda violência na internet é bullying. Existem situações mais graves: a radicalização -- quando a pessoa passa a fazer parte de grupos que pregam ódio e violência como algo normal e positivo.
Como funciona a radicalização
A radicalização acontece fora da escola, em lugares da internet que os pais geralmente não conhecem -- Discord, Telegram, jogos online. Esses grupos mudam de nome e de plataforma constantemente para não serem descobertos.
O jovem não começa ouvindo discursos de ódio. Primeiro, encontra um lugar onde se sente aceito. Depois, aos poucos, conteúdos violentos são introduzidos. A violência é apresentada como algo corajoso ou como uma "verdade que ninguém quer ver".
Como esses grupos atraem jovens
Grupos extremistas, como os neonazistas (grupos que pregam ódio racial), usam estratégias pensadas para atrair jovens:
Usam símbolos, códigos e linguagem secreta para disfarçar ideias de ódio
Usam memes (imagens da internet) para tornar a violência "divertida"
Fazem o discurso extremista parecer um jogo ou uma missão
Extremismo e Radicalização Online (continuação)
Sinais de alerta
Fique atento se seu filho começar a:
Usar símbolos, números ou códigos estranhos em perfis e apelidos de jogos
Possuir objetos incomuns (coletes, máscaras, facas) sem relação com esportes
Consumir conteúdo de crueldade extrema, inclusive contra animais
Perder a capacidade de se importar com o sofrimento dos outros
Participar de grupos fechados na internet com conteúdo violento
Assistir a conteúdos de crueldade não é curiosidade -- é sinal de que algo grave está acontecendo.
O que fazer
Esse problema não se resolve apenas com conversa. Envolve redes organizadas que reforçam ideias de ódio constantemente.
Comunique a escola, as plataformas digitais e as autoridades
Guarde as provas: prints, links, imagens
Registre um Boletim de Ocorrência -- não é para punir, é para proteger e documentar
A radicalização online acontece de forma silenciosa. Reconhecer os sinais é fundamental para agir antes que a violência saia da internet e cause danos na vida real.
CAPÍTULO 10
Marco Civil da Internet e Proteção de Dados
por Larissa Tavares e Fabiana Medeiros
Navegar com segurança também é um direito!
A internet faz parte do dia a dia das crianças. Mas para que ela seja segura, é importante conhecer as leis que protegem as pessoas online. As duas principais são o Marco Civil da Internet e a LGPD (Lei Geral de Proteção de Dados).
O que é o Marco Civil da Internet?
É a lei que define os direitos e deveres de quem usa a internet no Brasil. Funciona como a "regra geral" da internet. Protege especialmente crianças e adolescentes -- os dados de menores só podem ser usados com autorização dos pais.
O que é a LGPD?
Dados pessoais são informações que identificam uma pessoa: nome, foto, telefone, endereço, CPF, e-mail. A LGPD protege esses dados. Quando são de crianças, o cuidado é ainda maior -- é preciso autorização dos pais para qualquer coleta.
| Aspecto | Marco Civil da Internet | LGPD |
|---|---|---|
| Ano | 2014 | 2018 (vigor em 2020) |
| Foco principal | Direitos e deveres na internet | Proteção de dados pessoais |
| Crianças | Dados só com autorização dos pais | Consentimento específico dos pais |
| Privacidade | Proteção das comunicações | Controle sobre coleta e uso de dados |
| Responsabilidade | Do usuário pelo que posta | Das empresas pelo tratamento de dados |
| Punição | Remoção de conteúdo por ordem judicial | Multas de até 2% do faturamento |
Marco Civil da Internet e Proteção de Dados (continuação)
Princípios do Marco Civil:
Liberdade de expressão: opinar respeitando a lei e as pessoas
Privacidade: informações pessoais devem ser protegidas
Neutralidade: todo conteúdo tratado da mesma forma
Responsabilidade: cada um responde pelo que posta
Proteção dos dados na prática
Proteger os dados é importante para evitar: golpes, roubo de identidade (quando alguém se passa por você), exposição indevida e cyberbullying.
Dicas para navegar com segurança:
Não compartilhe dados pessoais na internet
Use senhas fortes (misture letras, números e símbolos)
Não clique em links estranhos
Ajuste as configurações de privacidade das suas redes
Pense antes de postar qualquer coisa
Proteção de crianças
Para menores de 12 anos, qualquer coleta de dados precisa da autorização dos pais. A Lei Felca (Lei 15.211/2025) obriga as plataformas a removerem conteúdos que mostrem crianças de forma inadequada. A lei proíbe o uso de perfis de crianças para propaganda.
Ser responsável na internet é um ato de respeito consigo mesmo e com os outros. O Marco Civil e a LGPD existem para garantir direitos, segurança e privacidade para todos.
CAPÍTULO 11
A Internet dos Brinquedos: IA no Quarto das Crianças
A tecnologia não está mais só nas telas. Ela já chegou aos brinquedos. Hoje existem bonecas, robôs e assistentes de voz que usam inteligência artificial (programas de computador que "pensam" sozinhos). Esses brinquedos conversam com as crianças, respondem perguntas e aprendem sobre elas.
O que são brinquedos inteligentes?
São brinquedos com microfones, câmeras, sensores e conexão com a internet. Eles escutam, analisam e respondem. Vão muito além do plástico e da pelúcia comuns.
Quais são os perigos?
Coleta de informações: Gravam voz, imagem e expressões da criança. Esses dados podem ser usados para propaganda direcionada. A lei proíbe isso.
Falsa amizade: A criança pode achar que o brinquedo é um amigo de verdade. A lei exige que fique claro que é uma máquina, não uma pessoa.
Espionagem: Se mal protegidos, podem espionar o que acontece dentro de casa. A lei exige proteção forte.
Vício digital: Alguns usam truques para manter a criança brincando por mais tempo, causando problemas de sono e dependência.
A Internet dos Brinquedos: IA no Quarto das Crianças (continuação)
Dicas para os pais
Verifique se o brinquedo tem selo de segurança e avisos sobre privacidade
Desconfie se pedir muitas informações pessoais -- a lei diz que só devem coletar o mínimo necessário
Use ferramentas de controle, mas sem exagerar na vigilância. Confiança também educa
Dicas para professores
A educação digital agora faz parte do ensino. Discutir em sala como funcionam os algoritmos (programas que escolhem o que aparece na internet) ajuda a formar cidadãos mais conscientes.
A tecnologia pode ser aliada na educação, mas brinquedos conectados não podem funcionar sem regras. A tecnologia muda mais rápido que as leis. Por isso, o olhar atento dos pais e professores continua sendo fundamental. Proteger a infância no mundo digital é proteger o futuro.
CAPÍTULO 12
Inteligência Artificial no Cotidiano de Crianças e Adolescentes
A Inteligência Artificial (IA) já faz parte da rotina das crianças e adolescentes, muitas vezes sem que eles percebam. IA são programas de computador que analisam informações, encontram padrões e tomam decisões sozinhos. Entender como a IA funciona é essencial para que famílias e educadores orientem o uso consciente, seguro e responsável da tecnologia.
Onde a IA está?
Redes sociais e vídeos: Os algoritmos (programas automáticos) analisam o que você curte, comenta e assiste para sugerir mais do mesmo. Essas sugestões são baseadas no tempo que você passa na plataforma e nas suas interações. Mas nem tudo que é sugerido é bom ou adequado para a idade ou para o desenvolvimento emocional da criança.
Assistentes de voz e chatbots: Ferramentas como assistentes de voz e chats automáticos usam IA para responder perguntas e ajudar em tarefas escolares. Mas não pensam como pessoas -- apenas repetem informações programadas ou aprendidas. Não têm julgamento humano.
Jogos: A IA cria desafios, adapta os níveis de dificuldade e torna o jogo mais envolvente. Fique atento ao tempo de jogo, aos conteúdos e aos comportamentos que os jogos estimulam.
Educação: A IA pode ajudar com aprendizado personalizado (que se adapta ao ritmo de cada aluno), identificar dificuldades escolares e apoiar educadores no acompanhamento do desempenho dos alunos. Mas nada substitui o professor, o vínculo humano e o diálogo.
Inteligência Artificial no Cotidiano de Crianças e Adolescentes (continuação)
Segurança: A IA também é usada para detectar comportamentos suspeitos, identificar conteúdos impróprios e combater fraudes e golpes digitais. Mesmo assim, a orientação familiar e escolar continua sendo fundamental.
Por que os pais devem entender a IA?
Quando os adultos entendem como a IA funciona, conseguem:
Orientar escolhas mais seguras
Estimular o pensamento crítico
Ajudar crianças e adolescentes a entenderem por que certos conteúdos aparecem na tela (são recomendações automáticas, não escolhas neutras)
Proteger os dados pessoais e a privacidade da família
Privacidade, segurança e educação digital devem caminhar juntas.
O papel da família e da escola
O Instituto Navegue Bem acredita que a educação digital começa no diálogo. Pais, responsáveis e educadores são referências essenciais para ensinar que tecnologia deve ser usada com responsabilidade, ética e consciência.
A Inteligência Artificial pode ser uma grande aliada, desde que venha acompanhada de orientação, limites claros e diálogo constante.
CAPÍTULO 13
Inteligência Artificial e a Formação de Valores
A Inteligência Artificial (IA) deixou de ser coisa de filme. Assistentes de voz, aplicativos que recomendam vídeos -- tudo isso usa IA. Essa tecnologia muda a forma como as crianças aprendem, brincam e veem o mundo. Mas essa presença traz desafios éticos sérios que exigem atenção dos pais e educadores. A LGPD (Lei Geral de Proteção de Dados) diz que os dados das crianças devem ser usados sempre pensando no melhor para elas.
Capitalismo de vigilância: seus dados valem dinheiro
Vivemos no que a pesquisadora Shoshana Zuboff chama de "capitalismo de vigilância" -- uma era em que o comportamento humano é transformado em matéria-prima para práticas comerciais. No caso das crianças, isso é muito preocupante: brinquedos e dispositivos inteligentes podem coletar dados biométricos (impressão digital, reconhecimento facial), padrões de fala, hábitos e rotinas sem que a criança ou os pais entendam o que está sendo coletado. Por isso, a responsabilidade dos pais começa na configuração rigorosa de privacidade e na escolha consciente de ferramentas que respeitem a família.
Bolhas de filtros: o algoritmo decide o que seu filho vê
Inteligência Artificial e a Formação de Valores (continuação)
Os algoritmos são feitos para manter a pessoa usando o app o maior tempo possível. Para isso, criam "bolhas de filtros" -- a criança só vê um tipo de conteúdo e perde contato com ideias diferentes. Segundo a UNESCO, a IA deve ser um meio para promover direitos humanos e dignidade, não para limitar a autonomia das pessoas. No caso das crianças, o risco é a troca da exploração livre pelo consumo passivo -- em que a máquina decide o que a criança vê, não a própria criança.
Desantropomorfização: a IA não é uma pessoa
Robôs e assistentes virtuais não têm sentimentos de verdade. Eles apenas processam instruções -- não "sentem" nada. É importante não tratar a IA como se fosse uma pessoa (o que os especialistas chamam de "desantropomorfização"). Usar demais a tecnologia para distrair a criança pode atrapalhar o desenvolvimento da empatia (capacidade de sentir o que o outro sente) e das habilidades sociais. A tecnologia deve ser um apoio, nunca um substituto para o vínculo humano e o carinho dos pais.
Consciência tecnológica ativa
Os pais precisam adotar o que especialistas chamam de "consciência tecnológica ativa". Isso significa:
Usar a tecnologia junto com os filhos, não deixar a IA ser uma "babá eletrônica"
Questionar as respostas da IA e ensinar que a tecnologia é feita por pessoas -- e pode ter erros e preconceitos
Ensinar que a IA pode "alucinar" (inventar fatos) e repetir preconceitos que existem na internet
Inteligência Artificial e a Formação de Valores (continuação)
Privacidade online e cuidados práticos
A privacidade vai além da segurança técnica. Os pais devem revisar e ajustar as configurações de privacidade em todas as redes sociais, limitando quem pode ver as publicações e ter acesso a dados pessoais. Postar a localização em tempo real ou detalhes da rotina pode colocar a segurança física em risco. Use também o gerenciamento de cookies (pequenos arquivos que rastreiam o que você faz na internet) e modos de navegação anônima para reduzir o rastreamento.
Equilibre o tempo de tela com atividades fora da internet: exercícios, leitura, brincadeiras e conversas. O uso excessivo causa cansaço nos olhos, dores no corpo e mudanças de humor. Quando usados com equilíbrio, jogos e aplicativos educativos podem ser aliados poderosos no aprendizado.
Guia prático de parentalidade responsável na era da IA
| Passo | O que fazer |
|---|---|
| 1. Curadoria e Privacidade | Antes de usar qualquer app ou dispositivo com IA, faça uma "auditoria": ajuste privacidade, desative envio de gravações, não use contas de adultos para crianças |
| 2. Co-navegação | Explore as ferramentas junto com a criança. Peça para a IA contar uma história e discuta se faz sentido. Ensine a perguntar: "De onde vem essa informação?" |
| 3. Pensamento Crítico | Explique que a IA pode inventar coisas e repetir preconceitos. Reforce que não é uma pessoa, mesmo que fale e responda |
| 4. Tempo e Diversidade | Defina zonas livres de tecnologia (mesa de jantar, hora de dormir). Incentive livros, conversas e natureza como fontes de conhecimento |
| 5. Observar Mudanças | Se a criança ficar muito irritada sem tecnologia, se isolar ou preferir só "amigos virtuais", é hora de repensar o uso |
O futuro dos nossos filhos estará ligado à tecnologia. Mas a bússola ética dessa jornada continua sendo responsabilidade humana. Equilibrar inovação com proteção, e tecnologia com diálogo, é o que garante um desenvolvimento seguro, ético e integral.
CAPÍTULO 14
Inteligência Artificial: Impactos no Mercado de Trabalho
por Flaminya Freitas e Fabio Farias
A Inteligência Artificial (IA) -- programas de computador capazes de fazer tarefas sozinhos -- já faz parte do dia a dia de empresas, escolas e da vida das pessoas. Ferramentas que automatizam trabalhos, analisam informações e criam conteúdos estão mudando a forma como trabalhamos.
Mudanças no mercado de trabalho
A IA está fazendo máquinas assumirem trabalhos repetitivos: preencher planilhas, responder perguntas simples de clientes. Isso não significa que todos vão perder o emprego -- mas que as profissões estão mudando. Os trabalhadores passam a fazer tarefas que exigem mais criatividade e pensamento crítico.
Áreas como atendimento, administração, indústria e comércio já estão mudando. Para acompanhar, os trabalhadores precisam aprender coisas novas.
O que esperar do futuro
Profissões tradicionais estão mudando, mas novas áreas estão surgindo:
Segurança de computadores (cibersegurança)
Análise de dados
Gestão de tecnologia
Habilidades como se adaptar a mudanças, aprender rápido e saber usar ferramentas digitais são cada vez mais importantes.
Inteligência Artificial: Impactos no Mercado de Trabalho (continuação)
O escritor **Yuval Harari** alerta: até 2050 pode surgir uma classe de pessoas que não conseguem ser empregadas em nada, porque não acompanharam as mudanças da tecnologia.
No futuro, pessoas e máquinas vão trabalhar cada vez mais juntas. A IA não substitui o valor das pessoas, mas aumenta o poder de quem sabe usá-la com responsabilidade.
É muito importante preparar trabalhadores, jovens e adolescentes para esse novo mundo, garantindo que todos tenham a chance de participar.
CAPÍTULO 15
IA e Oportunidades Profissionais
A Inteligência Artificial (IA) faz parte da vida de quem usa tecnologia, e não há como voltar atrás. Com as mudanças que a IA traz, surgem novas profissões e usos práticos no dia a dia.
A **educação** é um bom exemplo: professores podem usar ferramentas que ajudam a personalizar o ensino e acompanhar o aprendizado dos alunos de forma mais eficiente.
Novas profissões
Engenheiro de IA: cria e treina os programas inteligentes
Cientista de Dados: transforma números e informações em conhecimento útil para qualquer área
IA na saúde
Uma área que cresce muito é o uso da IA na saúde. A IA já consegue identificar câncer de mama e câncer de pele nos estágios iniciais, quando é mais fácil de tratar.
O mais importante: tudo que foi inventado até hoje foi feito por pessoas. O conhecimento é a chave para alcançar o que parece impossível. A IA é uma grande aliada, mas não toma a decisão final -- essa é nossa.
No mundo da IA, quem tiver mais criatividade para criar soluções que ajudem as pessoas sempre estará à frente.
CAPÍTULO 16
Responsabilidade Online: Um Pacto de Corresponsabilidade
A responsabilidade na internet envolve *todo mundo*: influenciadores, pais, plataformas (Instagram, TikTok, YouTube) e professores. A internet virou o lugar onde se estuda, trabalha, compra e se expõe. E tudo fica registrado.
O que diz a lei
O ECA Digital (Lei 15.211/2025) estendeu a proteção de crianças ao mundo online. A Lei 15.325/2026 tornou a atividade de criador de conteúdo uma profissão regulamentada, com direitos e deveres claros.
Um pacto de corresponsabilidade
Responsabilidade na internet não é briga para achar culpado. É um acordo onde cada um tem seu papel. A justiça trata influenciadores como profissionais que "emprestam sua credibilidade". Propaganda escondida ou recomendação de algo ruim gera responsabilidade legal.
Proteção de crianças
Expor demais os filhos na internet (sharenting) pode violar os direitos da criança. Crianças influenciadoras têm limites parecidos com os do trabalho infantil. O "efeito Felca" -- denúncia de exploração de menores online -- gerou pressão para leis mais rígidas.
Responsabilidade Online: Um Pacto de Corresponsabilidade (continuação)
Apostas online
As bets (apostas pela internet) cresceram muito. O perigo aumenta quando jovens são o alvo e a propaganda vem disfarçada de entretenimento. Em muitos casos, o influenciador ganha dinheiro pelas perdas de quem apostou -- um problema ético e legal grave. A CPI das Bets expôs esse esquema.
Papel de cada um
Pais: guardiões da vida digital dos filhos -- orientar e colocar limites, sem usar a criança como estratégia de conteúdo
Plataformas: criam as regras do ambiente digital -- devem ter responsabilidade compatível, especialmente para proteger crianças
Professores: formam consciência -- ensinam a diferença entre opinião e propaganda, entre diversão e risco
Legado digital
Tudo que fazemos na internet deixa rastro. Reputação, hoje, é currículo -- pode abrir ou fechar portas. Você não controla os algoritmos, mas controla o que faz.
A internet não precisa de mais gente famosa. Precisa de mais gente que mereça ser seguida.
CONCLUSÃO
Cuidar da segurança digital dos nossos filhos é, antes de tudo, um ato de amor. Nesta cartilha, juntamos informações de várias áreas para dar a pais, responsáveis e educadores ferramentas práticas para proteger crianças e adolescentes na internet.
Os assuntos que tratamos aqui — desde segurança na internet até inteligência artificial — mostram que o mundo digital precisa de atenção constante, conversa aberta e informação atualizada. Não se trata de proibir a tecnologia, mas de ensinar a usar com responsabilidade e consciência.
O Instituto Navegue Bem acredita que a educação é o melhor caminho para construir uma internet mais segura e saudável para todos.
Navegar bem é navegar com consciência.
Instituto Navegue Bem
Promovendo educação, proteção e consciência digital.
AGRADECIMENTOS AOS AUTORES
Esta cartilha foi possível graças à contribuição voluntária de especialistas comprometidos com a educação digital.
Fernanda Nogueira
Capítulo 1 — Internet sem Medo: Educação, Diálogo e Responsabilidade
Advogada, especialista em Direito Digital
Ana Paula Assunção Oliveira da Paixão
Capítulo 3 — Guia Prático: Uso Saudável das Redes Sociais
Aletéia Mangueira
Capítulo 4 — Segurança em Plataformas de Jogos On-line
Márcia Amaral
Capítulo 5 — Bullying e Cyberbullying: O Que Diz a Lei
Advogada, Especialista em Lei Geral de Proteção de Dados e Compliance
Priscila Pairé
Capítulo 6 — Bullying e Cyberbullying: Quando a "Brincadeira" Vira Crime
Policial Civil, Palestrante, Bacharel em Direito
Joice
Capítulo 7 — Fake News e Deepfakes: Entender para se Proteger
Victor Araujo e Carlos Erlacher
Capítulo 8 — Crimes Digitais e Proteção de Crianças e Adolescentes
Victor Araujo, advogado especialista em Privacidade de Dados e Perito Computacional Forense. Carlos Erlacher, especialista em Cibersegurança e Segurança da Informação.
Rodrigo Alessandro Ferreira
Capítulo 9 — Extremismo e Radicalização Online
Policial em Santa Catarina, especialista em Bullying e Cyberbullying
Larissa Tavares e Fabiana Medeiros
Capítulo 10 — Marco Civil da Internet e Proteção de Dados
Flaminya Freitas e Fabio Farias
Capítulo 14 — Inteligência Artificial: Impactos no Mercado de Trabalho
Embaixadores do Instituto Navegue Bem
Instituto Navegue Bem — 2026
Navegar bem é navegar com consciência.

Instituto Navegue Bem
Navegar bem é navegar com consciência.
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Cartilha de Educação Digital e Segurança na Internet
1ª Edição — 2026
